A Propósito de Ursos

06/03/2013 by

Às vezes, quando vou dar uma volta no carvalhal em frente a casa, tenho a sorte de observar corços, raposas… ou javalis. Notícias recentes dão agora conta de um avistamento de dois ursos-pardos a tão-só 70 Km a nordeste do local onde vivo.

Um urso negro que fotografei no Alasca... escuro contra fundo muito brilhante não é a melhor das situações...

Um urso-negro que fotografei no Alasca… escuro contra fundo muito brilhante não é a melhor das situações…

Ao que parece, os ursos que vivem aqui no norte de Espanha estão em ligeira expansão (são tão poucos que não dá para grandes entusiasmos). Mas o facto de estarem em dispersão, procurando novos territórios, não quer dizer que apareçam tão cedo nas nossas terras. E mesmo que apareçam, prefiro não me cruzar com um deles nos meus passeios matinais.

Por duas ocasiões, já tive a felicidade de ver e fotografar ursos no espaço selvagem. Mas há uma diferença grande entre ver e fotografar, como contei numa crónica que escrevi em tempos para a revista FotoDigital, e que agora recupero… para quem não leu na altura.

O local onde foram avistados dois ursos-pardos, ligeiramente a norte de Sanábria, numa imagem captada um mês antes (novembro 2012).

O local onde foram avistados dois ursos-pardos, ligeiramente a norte de Sanábria, numa imagem captada um mês antes (novembro 2012).

O crepúsculo já se tinha instalado quando captei a última imagem do dólmen de Poulnabrone, em pleno Burren irlandês. De regresso ao automóvel, acendi os faróis e retomei a condução pela mesma estrada, com o desenho irremediavelmente estreito e sinuoso comum a muitas vias desta parte do país. Tinha ainda percorrido poucos metros quando vi um coelho saltitar à frente do feixe de luz, mesmo no centro do asfalto; reduzi a velocidade e lá fui entretido no encalço curioso da pobre criatura – que se chateou ao fim de pouco tempo e desapareceu na vegetação. Surpreendentemente, ainda mal tirara os olhos da berma, tinha já uma marta à frente do carro, que se assustou com o encontro e meteu por um caminho lateral. Aproveitando a quietude do trânsito, virei o volante e fui atrás. Quando os faróis iluminaram finalmente a escuridão, deparo com outro bicho no meio do caminho, que nada tinha a ver com a marta, entretanto “evaporada”. Era um texugo, de olhos vidrados e ar aterrado, tão incrédulo quanto eu naquilo que se estava a passar.

No Sudeste do Alasca, voar de hidroavião é fundamental para aceder aos locais frequentados pelos ursos, já que a região está isolada por via terrestre. Ketchikan, 2006.

No Sudeste do Alasca, voar de hidroavião é fundamental para aceder aos locais frequentados pelos ursos, já que a região está isolada por via terrestre. Ketchikan, 2006.

Tudo isto aconteceu em pouco menos de dois minutos, e a não ser que se tenha tratado de um estranho fenómeno de metamorfose, vi, na realidade, três animais silvestres num curtíssimo espaço de tempo. Provas? Não tenho. Como também não tenho de inúmeras outras observações fantásticas, ocorridas enquanto realizava reportagens: um lobo correndo sobre o manto de neve a poucos metros do automóvel onde seguia; mãe e cria de veado despertados pelos meus passos, madrugada após madrugada, enquanto acedo a um abrigo; crias de javali que cruzam o regato três metros ao lado do local onde me encontro sentado; um urso que entra na clareira ao cair da noite, afugentando o gato-bravo que já lá se encontrava… Fotos? Nicles!; népia!; rien! E a lista podia continuar…

Afinal sempre consegui algumas fotos do urso que vi na Eslovénia em 1997. 3 horas à espera, uma 300 f2.8 e um converso rmas era quase noite e a película de apenas 100 ISO!

Afinal sempre consegui algumas fotos do urso que vi na Eslovénia em 1997. Três horas à espera, quieto e em silêncio para isto! Uma 300mm f2.8 e um conversor não chegaram para superar o início da noite e a película de apenas 100 ISO!

Bem sei que isto soa àquelas histórias mirabolantes que os pescadores gostam de contar – “tinha ali mesmo um robalo de 200 quilos e a linha partiu-se-me…” – mas conto-as porque, ao fim de 3 anos e meio de blog, o mínimo que posso esperar é que acreditem no que escrevo. E, já agora, que nenhum dos leitores seja pescador.

Na verdade, a fotografia da natureza conta com um enorme desfasamento entre aquilo que se vê e aquilo que se consegue fotografar, principalmente num país como o nosso, onde a fauna é tremendamente esquiva… e aquela que não é, acaba sistematicamente por ver a sua vida encurtada pelos caçadores do costume. Em todas as situações que mencionei trazia comigo uma máquina fotográfica e, em boa parte dos casos, nem sequer ousei apontá-la ao animal em causa; umas vezes porque tudo se passou muito rapidamente, outras porque fiquei simplesmente deslumbrado com a observação e nada consegui fazer. E nas raras vezes que estes encontros fortuitos tiveram resposta da minha parte, as fotos ou foram para o lixo ou passaram ao arquivo por razões sentimentais – tremidas, desfocadas, sub-expostas. Desilusão? Nem por isso. A vida encarrega-se de nos demonstrar que a boa fotografia de vida selvagem raramente resulta do acaso, por isso mais vale gozar o momento com um bom par de olhos panorâmicos do que deixá-lo fugir através de um ridículo visor, acoplado a um tubo de não sei quantos quilos. É bom na mesma e só nos vai aguçar o apetite para voltar àquele local uma e outra vez, possivelmente melhor preparados.

Empurrados para norte pela guerra dos Balcãs, em 1997 havia no sul da Eslovénia 300 ursos-pardos. Uma densidade enorme para a qual alertavam os avisos nas árvores.

Empurrados para norte pela guerra dos Balcãs, em 1997 havia no sul da Eslovénia 300 ursos-pardos. Uma densidade enorme para a qual alertavam os avisos nas árvores.

Por outro lado, mesmo quando planeamos as fotos com todo o cuidado – abrigos, engodos, células de infra-vermelhos e toda a tralha que se conhece aos fotógrafos da natureza mais empenhados – nem sempre as coisas resultam. Como daquela vez que permaneci dentro de um abrigo à espera de veados, das seis às oito da manhã, com neve por todos os lados e uma temperatura de -2ºC, sem que visse uma orelha que fosse dos bichos. Ou quando me meti entre os caniços de uma lagoa, de fato de mergulho e com água até ao peito, apenas para descobrir que os mergulhões nadavam serenamente a dois palmos da objetiva (e demasiado perto para focar) de tão bom que era o disfarce.

Pois é, às vezes sentimos que a natureza faz troça de nós. Mesmo assim não me arrependo nem me martirizo com as “ocasiões perdidas”, e continuo a recomendar que saiam para o campo tanto quanto puderem. É que em casa só nos saem moscas e formigas.

O urso que se pode ver na imagem é o mesmo que abre o post... subiu o rio até ficar a 20m de mim. Felizmente havia salmões que chegassem.

O urso que se pode ver na imagem é o mesmo que abre o post… subiu o rio até ficar a 20m de mim. Felizmente havia salmões que chegassem.

Tempo!

22/01/2013 by

Há alturas em que saboreamos até ao tutano o sítio onde agora vivemos. Dias que dão sentido à intuição que nos trouxe até cá. Hoje nevou.

De manhã abri devagar a persiana e pouco depois sussurrei ao ouvido da M: “queres espreitar lá para fora?”; o sorriso que se seguiu não tem preço… como não tem preço a vontade que lhe vi em despertar o irmão com a mesma surpresa.

O cenário, já de si bonito, esteve hoje mágico, com uma constelação de flocos a cair leve, levemente até preencherem de branco todas as rugas da terra.

Este dia parece o culminar perfeito de uma série de outros igualmente belos.

Temos estado envolvidos em trabalhos que andam à volta do fumeiro tradicional… eu por um lado, a Ana por outro, mas com conversas e histórias fantásticas que se cruzam ao final do dia, à volta da mesa. Da minha parte, confesso que tenho visto autênticas pinturas diante dos olhos… cenas belas desta arte centenária de preparar os enchidos que hão-de aguentar os lares transmontanos até ao ano que vem.

O convite para encher alheiras partiu de bons amigos que temos na aldeia. Seguiram-se fotos e notas soltas que tomavam o pulso a tantas histórias, e almoços ou jantares animados, sempre à volta do lume com aroma a carvalho e castanheiro.

Pelo meio, um fantástico jantar no mítico Solar Bragançano, com o Desidério e a Ana Maria a presentearem-nos com um magnífico butelo com cascas.

Uma amiga brasileira que conhecemos nos confins da China rural disse-nos, nessa altura, que sobre Portugal achava particularmente mágico o nome de Trás-os-Montes. Como era bonito deixar ao critério de quem ouvisse tal nome, imaginar o que haveria para lá das montanhas; e ao mesmo tempo, ela própria entoava essas palavras num sopro, como o vento que trouxe a neve hoje pela manhã: Traaaaaaássss-oooosssss-Mooonteeeesss.

Pouco a pouco, parece que estamos a descobrir essa tal magia.

Como é bom estar deste lado dos montes.

Bom Ano!

08/01/2013 by

Em 2012 assistimos ao lançamento de centenas de novos modelos de câmaras fotográficas, creio que a um ritmo sem precedentes na era da fotografia digital. Ou mesmo de toda a história da fotografia.

Um diapositivo captado em 1988. Não havia Photoshop... um desfoque ligeiro, uma chuvada de véspera e a luz da manhã fizeram o efeito.

Um diapositivo captado em 1988. Não havia Photoshop… um desfoque ligeiro, uma chuvada de véspera e a luz da manhã fizeram o efeito.

Quando já achamos que não é possível melhorar, eis que surgem coisas mais sofisticadas, mais capazes, que parecem eclipsar de uma só penada tudo o que lhes antecedia. No plano da fotografia, não se trata apenas de câmaras fotográficas e respetivas objetivas, mas também de todo o software de pós-processamento associado a esta fulgurante era da imagem digital. O ritmo das novidades é tão frenético que chega a confundir qualquer potencial comprador na hora da decisão; e aqueles que acabaram de comprar uma câmara sentem que deitaram o dinheiro fora, poucos meses após a “gloriosa” aquisição.

No meio disto tudo, onde é que pára, afinal, a fotografia? Falo, claro, do seu lado estético e criativo – a genuína, bela, sábia arte fotográfica.

O preto e branco nem sempre funciona bem... tal como a cor. Aqui, os contrastes, a perspetiva  e o momento justificaram, para mim, o discurso monocromático.

Aqui, os contrastes, a perspetiva e o momento justificaram, para mim, o discurso monocromático. Tenho uma semelhante a cor, mas prefiro esta.

Não deixo de sentir uma grande desilusão cada vez que se apresentam imagens extremamente manipuladas como se fossem resultado da inspiração artística de quem as concebeu. Por todo o lado se multiplicam agora fotografias perfeitíssimas, de cores vibrantes, contornos retocados, contrastes surreais: um interminável desfile de artifícios de software, para ser realista. Por outro lado, e ainda com menos trabalho, temos os efeitos “fotográficos” do iPhone ou a moda dos HDR em versão automática. Francamente, só espero que passe – que seja um fenómeno de moda ou de deslumbramento, como aconteceu durante os anos 80 com os filtros arco-íris, névoa/sonho ou céus cor tabaco.

O fundo está um pouco queimado e a roupa do homem suja... lava-se tudo no Photoshop ou deixa-se assim? Por mim, prefiro o realismo da fotografia.

O fundo está um pouco queimado e a roupa do homem suja… lava-se tudo no Photoshop ou deixa-se assim? Por mim, prefiro o realismo da fotografia.

Não é pelo facto de eu ter começado na fotografia pelo diapositivo e pelas revelações a preto e branco em quarto escuro que me vejo detentor de toda a verdade fotográfica. Apesar de inicialmente cético, reconheço inúmeras qualidades à era digital, a quem devo alguns progressos na minha forma de fotografar. Hoje, por exemplo, consigo concluir uma reportagem de forma mais sólida e em menos tempo pelo simples facto de poder visualizar as imagens no LCD da câmara. Mas o que vejo em muitos casos supera a mais fértil imaginação: utilizam-se efeitos digitais só porque estão lá, no software ou na câmara; os autores nem sequer se interrogam sobre a pertinência desses efeitos, se melhora ou piora a imagem, se faz algum sentido. Num paralelo com a fotografia clássica, fazem-me lembrar os que só fotografavam a preto e branco porque “era mais artístico” ou o recurso a câmaras pinhole para captar tudo e mais alguma coisa; qualquer uma destas técnicas pode dar resultados extremamente belos ou apenas gratuitos, sem sentido… é tudo uma questão de critério ou falta dele.

Luz, perspetiva, composição... a, b, c... a fotografia não precisa muito mais do que isto.

Luz, perspetiva, composição… a, b, c… a fotografia não precisa muito mais do que isto.

Vivemos uma época de pouco discernimento: o que nos sobra em bugigangas eletrónicas falta-nos em tempo para aprender a utilizá-las ou, até, para questionar sobre a sua real utilidade. Os franceses têm uma expressão um pouco corrosiva quando aplicada à leviandade artística: n’importe quoi!

Por isso, em matéria de fotografia, o meu voto para 2013 é que haja mais tempo para a cultura visual e para a reflexão artística. Já basta de n’importe quoi!

On / Off

15/11/2012 by

Apetecia-nos desligar. Passar um fim de semana em família, longe de compromissos, telejornais agoirentos e computadores a exigir-nos a atenção.

Enfim, sair de casa para quebrar a rotina, sem outras intenções que não fossem usufruir da companhia uns dos outros e de gozar este outono glorioso.

Na mala, uma muda de roupa, papel e lápis para desenhar, jogos de tabuleiro e duas máquinas fotográficas para usar com moderação.

Andámos à chuva, entrámos em galerias mineiras, jogámos junto à lareira, vimos perdizes fugidias e ratinhos minúsculos, revimos velhos conhecidos, cortámos urzes para conseguir cruzar um caminho lamacento, comemos tortillas e crepes chineses.

E teríamos regressado a casa no domingo, felizes e relaxados, se os deuses não nos tivessem concedido ainda o brinde de cumes nevados e estradas com gelo. Não nos restou alternativa senão ficar por mais um dia, desligados do mundo mas ligados ao essencial.

As imagens, todas da autoria da Mariana e do Luís, mostram como é bom passar a câmara para outras mãos e deixar que revelem a sua forma de olhar.

Notícias

05/11/2012 by

Para o Henrique, que me tem “acompanhado” nestas viagens.

Há muito que não damos notícias. Não por falta de histórias para contar… antes por falta de tempo para as escrever.

Do ponto de vista fotográfico, entrei num interessante rodopio ainda no correr do mês de agosto; depois, vieram as chuvas… céus fantásticos, lameiros verdejantes, as cores do outono – que me lembre, um dos melhores dos últimos anos (acreditem, é mesmo difícil tirar os olhos da janela enquanto escrevo estas linhas!).

O levantamento fotográfico que me foi pedido, fez-me viajar por boa parte de Trás-os-Montes e pelas províncias espanholas de Zamora e Salamanca. E deu-me a sentir, uma vez mais, o privilégio que é viver e trabalhar nesta região da Península.

Num dia repleto de boas observações, captei este macho solitário ao crepúsculo… num arrojado ISO de 1600.

Pelo caminho, captei os derradeiros mergulhos em rios de águas límpidas (no que sobrava de verão), assisti à brama do veado nos amanheceres frescos de setembro, segui rebanhos de churras-bragançanas (a mesma raça do cordeiro que há tempos criei aqui em casa), acompanhei a vindima nas encostas suaves e mornas de Valle Pradinhos, vi tratar o queijo terrincho nas mãos sábias que o produzem, como também vi a amêndoa ser descascada e as primeiras castanhas serem colhidas.

Pessoas simples, generosas e sempre disponíveis para me ajudar no meu trabalho… ainda que interrompendo temporariamente o seu.

Deambulei por bosques de bétulas, carvalhais e soutos (que abundância de cogumelos, este ano!) e assisti às primeiras neves. Conheci gente generosa e acolhedora – que não poupa nos sorrisos e tem sempre alguma coisa para dar: um copo de vinho, pêssegos, uvas, amêndoas, queijo, figos, pão… quando descarregava o carro parecia que vinha do supermercado. Tanta coisa boa, até parece alucinação, não é? Ou então é só a minha forma de ver e sentir as coisas.

Passei todo um dia neste bosque, onde cheguei logo pela manhã com neve nos cumes e -2ºC. Não é raro ver aqui corços… uma jóia perto de casa.

Há muito que não via tantos cogumelos. O outono tem sido generoso…

Ontem, regressei do Barroso. Um passeio fotográfico calmo, chuvoso, mas muito bonito. Reencontrei amigos. Senti-me em casa (o efeito Trás-os-Montes, outra vez).

Agora, com o passeio fotográfico a Villafáfila a espreitar no calendário, parece que já ouço os bandos de gansos a chegar do Norte e a encher os céus e a planície. As chuvas abundantes deste outono são um bom presságio…

Poucas horas após fotografar esta fêmea, apanhei um susto de morte : dois grandes veados cruzaram repentinamente a estrada a poucos metros do pára-choques.

Para a fotografia de veados, às vezes o melhor é ficar dentro do carro. Para os gansos de Villafáfila o princípio também se aplica.

Se tudo correr bem, devem estar a chegar…

Férias, doces férias

06/08/2012 by

Não era suposto estas férias terem sido assim. Havia uma viagem marcada há vários meses, projetada à volta de mapas, guias e recordações. Havia rotas desenhadas em tom fluorescente e expectativas. Sobretudo, muitas expectativas. Porque era um sítio onde há muito queria voltar e onde há tanto tempo planeávamos levar as crianças… Contas feitas, passagens aéreas reservadas, tenda a postos.

E depois dei uma queda no final de maio: nada de muito grave, nenhum osso partido, umas dores ocasionais. Faltavam cinco semanas para a partida, até lá a coisa resolvia-se. Não resolveu.
Cancelar a viagem foi mais doloroso do que todos os tratamentos. Um país é muito mais do que um ponto geográfico quando os sonhos se intrometem.

Felizmente, recorremos ao sítio ideal para seguir, à risca, as ordens do médico: evitar o sol, fazer caminhadas curtas, muito repouso.
Desde então, as férias tem sido passadas junto a margens sombrias de rios, onde os miúdos se lançam em saltos destemidos. Vozes cautelosas garantem que a água é gelada, mas ninguém diria, pelo tempo que passam lá dentro.
Há também estradas vazias para lançar papagaios ao vento… E prados verdes, palco de gritos e correrias, que abrigam insetos que apanham com cuidado para nos mostrarem as suas cores espantosas.

Nesse lugar, as noites mornas permitem jantares sob o céu estrelado, que uma noite nos brindou com o meteorito mais perfeito que alguma vez vimos. Ao crepúsculo, aparecem nuvens rosa e, em várias ocasiões, raposas que descortinamos em brincadeiras e caçadas. Nos dias mais quentes (e como são quentes, às vezes), abrigamo-nos à sombra de duas nogueiras, onde os almoços são acompanhados pela algazarra dos estorninhos, e as conversas giram à volta dos planos para os próximos dias.
Porque continua a haver ainda muito por explorar e descobrir à volta de casa, afinal um ótimo destino para passar as férias.

P.S. Mas o verão não fica completo sem dar um salto ao lugar de sempre, aquele que também nos aquece a alma nos dias mais frios, quando recordamos os dias fantásticos passados junto ao mar.

Click!

23/05/2012 by

“A qualidade nunca é acidental; é sempre o resultado de um esforço inteligente.”
John Ruskin

Quando mostrei ao meu filho a imagem que abre este post, ele exclamou: “fixe, pai!” E de seguida perguntou: “como é que fizeste isso no Photoshop?”

Ora, a imagem foi captada assim mesmo, durante o workshop A Arte de Ver, que orientei em Bragança no passado fim de semana. Não tem Photoshop, nem é artifício de qualquer câmara digital hi-tec. Basta selecionar uma velocidade de obturador lenta e premir o disparador enquanto se desloca a câmara na vertical. Tão simples quanto isso.

A técnica, que resultaria de igual forma com qualquer câmara de película, produz um resultado gráfico muito atraente; no entanto, está longe de poder ser aplicada de forma indiscriminada. Basta dizer que não funciona bem com qualquer assunto; e mesmo que se esteja perante o assunto certo – um bosque de coníferas, neste caso – o efeito depende muito do sítio para onde se aponta a máquina fotográfica (fruto do conhecimento da luz) e da distância focal escolhida (resultado da sensibilidade estética e do conhecimento técnico).

A verdade, porém, é que as palavras do meu filho traduzem na perfeição o que vai na alma de muita gente: uma tendência atual para o automatismo, o efeito fácil da tecnologia, o cut and paste travestido de arte. O software e a tecnologia aliciam-nos para isso, é indiscutível, mas só vamos por aí se quisermos.

A criatividade, o sentido estético, a inspiração, a aprendizagem dependem da nossa capacidade cerebral e da nossa sensibilidade… resultando numa espécie de certificado de autenticidade de tudo aquilo que fazemos. E a fotografia não é exceção.

Cumpre-se agora um ano da decisão de abrir as portas de minha casa a fotógrafos que queiram aprender de forma personalizada as diferentes facetas desta arte: aquilo a que chamei SOLO Workshops.

Há quem tenha vindo no verão para passar um dia no campo, exercitando o olhar, tentando perceber melhor as nuances da luz, ao mesmo tempo que conhecia a região; outros escolheram o outono para estudar a perspetiva e a composição, destilando os ingredientes mágicos das imagens até chegar à essência (com a qual começarão a perfumar o seu próprio trabalho); e houve quem preferisse o pico do inverno para, no aconchego panorâmico da sala, aprender a utilizar software de pós-processamento e a produzir impressões de qualidade – o software numa perspetiva de ferramenta e não de obra acabada, que é como as coisas devem ser.

Nestes workshops, a minha tarefa não é desenrolar o novelo da fotografia pelo participante, mas antes indicar as várias pontas por onde ele deve ser desenrolado – e, de acordo com a personalidade, gostos e estilo de cada um, sugerir como o deve fazer.

© Ana Pedrosa. A vista da sala de aula dos Solo Workshops ajuda à inspiração. Às vezes, até as oportunidades fotográficas vêm ter connosco.

Cada um de nós tem um potencial enorme à espera de ser despertado. Às vezes, só é preciso um cenário propício e alguém por perto para ajudar. É que o click do título deste post não é o do rato do computador, nem sequer o da câmara fotográfica…

…É, tão-só, o clique mental que pode fazer acontecer o que de melhor há em nós.

Do Duero ao Douro

09/05/2012 by

Dois países. 11 sítios Património da Humanidade. Uma viagem de 3400 quilómetros pela bacia hidrográfica do Douro. O meu último assignment está pronto e entregue. A exposição inaugura hoje no Porto em plena Cimeira Ibérica.

Numa das cavernas de Atapuerca, um paleontólogo mostra um crânio de Homo heidelbergensis.

Mariano Rajoy e Passos Coelho podem até ser dos primeiros a ver as imagens deste projeto (ver aqui), mas dificilmente terão oportunidade de conhecer os bastidores do trabalho, algo que reservo sempre para os fieis seguidores do The Quality Times.
Pois então aqui ficam alguns episódios desta viagem que, espero, também tenham o dom da pedagogia.

Ávila
Uma vez dei no Porto uma palestra que tinha como subtítulo “Afinal, porque é que não basta fazer boas imagens para se ser fotógrafo profissional?” A resposta encontra-se, por exemplo, no facto de eu ter estado sentado cerca de uma hora, à espera de ser atendido pelo vigário geral do bispado de Ávila. Motivo? A obtenção de uma autorização formal para fotografar o interior de edifícios e bens pertencentes à igreja (boa parte do património classificado, portanto). Sem autorização, não há fotos… é tão simples como isto.

A maior parte das autorizações – como para fotografar na Catedral de Burgos ou em Atapuerca – obtive-as com grande antecedência (algo que obriga o fotógrafo a uma boa organização e o vincula a datas precisas), mas nem sempre se obtém a permissão em tempo útil. Daí eu ter ficado a conhecer bem os vários gabinetes deste bispado.

Segóvia
Após fotografar em Salamanca e Ávila, tinha previsto um regresso a casa. No entanto, as previsões meteorológicas apontavam para a forte possibilidade de neve para os dias seguintes. Mudei de planos. Quando vimos de fotografar igrejas, muralhas, catedrais, praças e pontes, e ainda temos muito mais do mesmo pela frente, a brancura da neve vem mesmo a calhar… sempre dá um toque diferente ao património.

O resultado foi três dias a fotografar o centro histórico de Segóvia que, dadas as circunstâncias, parecia tirado de um conto de fadas. Claro, custou um bocado passar tantas horas debaixo de temperaturas negativas, mas o gozo de ter tomado a decisão certa superou em muito as dores nos ossos e o nariz a pingar.
Felizmente, desde que vivo na Terra Fria Transmontana, habituei-me a trazer na mala do carro as correntes para a neve… era isso ou não voltava tão cedo a casa.

Burgos
Ao fim de tantos disparos, foi com toda a naturalidade que vi surgir pontos e manchas nas imagens, sempre no mesmo sítio, ou seja, sujidade no sensor. Ainda que para muitos fotógrafos isto seja uma tarefa proibida, há muito que aprendi a viajar com um kit de limpeza (líquido e espátulas de uso único). Os fabricantes recomendam que o sensor seja limpo apenas por técnicos especializados… só que eles não estão ao nosso lado sempre que precisamos. Além disso, há que reconhecer, não existe técnico mais cuidadoso do que o dono do equipamento.
Não custa nada, resolve o problema e ocupa-nos parte das insónias típicas de quarto de hotel; basta ter o kit de limpeza, uma lanterna-frontal bem luminosa (que nos liberta as mãos) e baterias carregadas ao máximo (para não correr o risco da máquina desligar, fechando o obturador).

O meu pequeno atelier de limpeza de sensores, num quarto do hotel Cordon, Burgos.

Um outro problema colateral surge quando planeamos fotografar bem cedo. De nada serve programar o despertador para as seis da manhã se chegamos ao carro e o encontramos coberto de gelo. Em invernos muito frios, e nesta parte da Península, há que contar com isto numa base diária (Burgos tem invernos absolutamente polares). A prevenção passa por colocar de véspera um cartão sobre o pára-brisas e deixar o carro estacionado para nascente, num local onde o sol bata logo pela manhã. Já a solução consiste em raspar o gelo do pára-brisas com um pequeno cartão de plástico (que não o VISA Gold). Nunca despejar água fria (porque isso só vai criar uma nova camada de gelo), nem água quente (porque pode fragilizar ou estalar o vidro). Há muito que conheço estes métodos, mas há sempre um dia que me esqueço deles.

Esqueci-me de dizer que devemos usar luvas enquanto retiramos o gelo. A fotografia também exige sensibilidade nos dedos.

Côa
Depois de tanto ver fotos de gravuras rupestres, e tendo eu que regressar ao Côa no âmbito deste trabalho, optei pelo mais seguro: fotografar à noite, com a ajuda de focos de LED. Nada propriamente original, mas sempre bonito. Lembrei-me, no entanto, de uma pequena inovação: um ponteiro laser.
Com isto, podia redesenhar as formas dos animais gravados, algo que remete para os riscos coloridos das técnicas de decalque que os arqueólogos utilizaram durante os levantamentos nos diferentes núcleos do vale do Côa. Com a ajuda de um técnico do Parque, lá estive em longas exposições a ver os desenhos reaparecerem, desta vez com o traço tecnológico do século XXI.

Uma técnica simples, que me ocoreu numa visita anterior ao núcleo de gravuras da Penascosa.

Siega verde
Em Siega Verde, extensão classificada do Vale do Côa (do lado espanhol), voltei à fotografia de gravuras… não de noite, mas durante o dia (há que procurar alguma diversidade). Este é um tema em que os resultados só aparecem com muita persistência… ao fim de muitas tentativas com diferentes tipos de luz.
Feito um reconhecimento prévio, onde verifiquei a orientação solar e o tipo de gravuras dos diferentes núcleos, dediquei algum tempo a refletir sobre como faria as imagens no dia seguinte.
Em Ciudad Rodrigo, onde pernoitei, havia uma festa com muitas diversões coloridas. Fotografei por brincadeira… para relaxar… sem LEDs… sem lasers… sem tripé… apenas com uma compacta. Às vezes é preciso relembrar que as coisas mais simples são as que funcionam melhor. Foi muito terapêutico!

A diversão chamava-se Giga Canguru. Algumas pessoas saíam de lá tão verdes como as luzes.

Porto
Mesmo antes de começar este trabalho, em janeiro, já sabia que o centro histórico do Porto iria ser a minha maior dor de cabeça. Como se fotografa bem um sítio que conhecemos desde pequenos? Como posso eu ser original a fotografar a Ribeira, a Sé, a ponte D. Luís, a praça do Infante, a estação de S. Bento e tudo o mais incluído no perímetro classificado pela UNESCO?
Ao fim do primeiro dia, só me apetecia atirar ao rio… esse mesmo Douro que há dois meses, da nascente até à foz, era tema do meu olhar. Para enganar a alma, enquanto esperava pelos minutos mágicos do crepúsculo, fiz uma foto aos teleféricos que passavam sobre as caves de vinho do Porto.

Gostei da foto… mas não encaixava no trabalho.

Palácio da Bolsa: tinha a composição, tinha a perspetiva; faltava apenas o pianista que era suposto vir ensaiar dentro de uns minutos…

Mas este post já vai longo. Muita coisa teria ainda eu para falar destes 6 sítios e dos outros 5 que constituem o Património da Humanidade na Bacia Hidrográfica do Douro. Mas nada melhor do que deixar a exposição falar por mim, assim que estiver aberta ao público em geral (informarei sobre datas e locais). Para já terão de se contentar com estas fotos de bastidores – as tais que contam coisas que Coelho e Rajoy jamais saberão.

Não é difícil fazer 3400 Km num trabalho deste tipo… poucas pessoas sabem que a comunidade autónoma de Castela e Leão é maior que Portugal.

When in doubt, get out! (pela enésima vez…)

24/04/2012 by

Embora os receios dos participantes sejam sempre muitos, a experiência tem-me demonstrado que em dias de chuva vale mesmo a pena sair.

© Maria João Horta. Eis a luz que se obtém logo após um aguaceiro!

Como gosto de relembrar, não há dias maus para fotografar; apenas fotógrafos mal preparados. Desde o primeiro passeio fotográfico que organizei, em 2004, (também ele brindado com um generoso volume de água destilada), sempre assumi que não cancelaria estas atividades em função de previsões meteorológicas consideradas adversas. Mas o facto de resistir ao cancelamento, não quer dizer que não me preocupe com estas questões, bem pelo contrário. Na semana que antecede qualquer saída, debruço-me obsessivamente sobre as tendências do estado do tempo: cruzo informação com diversos sites de referência, tenho em conta as temperaturas máximas e mínimas, o avanço de bolsas de precipitação, a presença ou a ausência de nuvens, cotas de neve (caso se aplique), e até a direção e velocidade do vento – para avaliar qual será a sensação térmica real devido ao famoso wind chill factor.

© Ricardo Sousa. Luz dourada em contraste com um céu carregado. Resulta sempre.

© Helena Marramaque. Rotação do zoom associada a uma velocidade lenta... Um velho truque que surpreende desde que o objeto ou tema seja bem escolhido.

O resultado desta obsessão silenciosa tem sido muitas e boas oportunidades fotográficas, ajudadas pela insubstituível experiência de campo, que complementa na perfeição o que aprendo nos sites meteorológicos. Este conhecimento crescente está na base da relativa segurança com que decido esperar pela luz (em função de uma previsível aberta no céu), ou quando opto por subir a montanha em 200 ou 300 metros… para que a precipitação seja de neve e não de chuva (a temperatura baixa cerca de 0,6ºC por cada 100 metros); já aconteceu alterar um programa no próprio dia, reorientando a captação fotográfica para zonas mais fechadas, pela suspeita de aguaceiros pesados; ou antecipar belas nuvens sobre uma planície com base numa consulta de última hora da informação de radar (que indicava a aproximação de uma frente vinda de oeste).

© Luís Macieira. A mesma casa da imagem de abertura, mas a P&B e com uma composição e perspetiva bem diferentes.

© Joana Nunes. Em dias de chuva, nada mais prático do que fotografar com uma compacta... nem a macrofotografia está fora de alcance.

Por vezes, os participantes olham com desconfiança para estas minhas decisões. E fazem bem, porque nada disto é infalível… tudo se baseia na avaliação pessoal, na experiência de campo e na aposta em obter certo tipo de imagens. E é este último ponto que pode fazer toda a diferença, já que nem toda a gente encara as oportunidades fotográficas com a mesma convicção, e há quem não goste de apostar com as nuvens.

© Domingos Azevedo. O rebento de um salgueiro e a zona húmida que o contextualiza. Há muitas formas de fazer imagens representativas de um sítio.

© Hugo Boleto. A preparação dos campos inundados para a sementeira do arroz é também um campo fértil para o preto e branco: o contraste da luz, a textura da lama, o grafismo do trator... voilá!

Gerir as expectativas de um grupo amplo e heterogéneo é o maior desafio destes passeios, tanto mais que neste capítulo não há previsões que me valham. Para mim, uma fotografia bem conseguida vale bem uma molha no pêlo, sobretudo quando sei que dali a pouco tomo um duche quente, mudo de roupa e saboreio um copo de vinho acompanhado de uma iguaria local. A chuva, lá fora, soará então à melhor das melodias… e já ninguém me tira os momentos mágicos de luz que captei graças a uma certa persistência.

© Paula Rocha. A inclusão de ambas as margens deste arrozal - em primeiro e em último plano - ajuda a emoldurar o perna-longa e o seu reflexo.

© Luis Mestrinho. Algumas pérolas estão reservadas aos fotógrafos que se dispõem a sair nos dias de chuva.

A última edição do passeio ao Baixo Vouga Lagunar provou, uma vez mais, a teoria do “when in doubt, get out” – que, sublinho, se aplica melhor à fotografia do que a outras coisas (se fosse só para ir comprar o jornal, se calhar não arriscava uma saída).
Perante previsões de um fim de semana muito pouco risonho, ninguém se molhou irremediavelmente nem passou muito frio. Vimos cegonhas e garças-brancas num vai-vem para os arrozais, crinas de cavalos ao fundo de túneis de amieiros, um labirinto de canais onde a chuva desenhava círculos concêntricos. Houve até oportunidade para um piquenique num prado verdejante.
Ah, como é bela a primavera!

© Alda Mendonça. Sem nuvens, esta perspetiva seria bem menos interessante. Os dias de céu limpo são muito bons para passear; mas no que toca à fotografia...

Duas faces da mesma moeda

04/04/2012 by

Quando se encara a vida com pragmatismo, e a curiosidade e o prazer de novas experiências superam a importância do dinheiro ou do prestígio, o resultado pode ser tão surpreendente quanto gratificante.

Um quadro improvável captado por Emília Pires num recanto de sua casa.

Poucos meses haviam passado da minha mudança para Bragança quando recebi um convite invulgar. Uma associação local convidava-me para ministrar um workshop de fotografia para habitantes da pequena aldeia de Portela. Os alunos teriam entre 58 e 85 anos, e era a primeira vez que estariam em contacto com câmaras fotográficas digitais.

A alegria durante um trabalho agrícola. Maria Assunção conseguiu a naturalidade que tantas vezes escapa a fotógrafos profissionais.

Parece fácil, mas é tudo menos isso.
Como se organiza, então, um programa para pessoas que nunca experimentaram conceitos de luz, perspetiva e composição associados à imagem fotográfica?
Como fazer com que os seus dedos robustos – habituados a cavar, amassar farinha e demais tarefas campestres – passeiem agilmente entre os minúsculos e sensíveis botões de uma câmara compacta?
E – antes de tudo – como espicaçar a pouca curiosidade que inicialmente nutriam por este assunto?

Teresa Afonso concentrou-se na sua gata e nas crias recém-nascidas.

O objetivo não se afigurava nada fácil, como ficou provado pelas horas que passei à secretária na tentativa de dosear corretamente uma receita que funcionasse. Volvido este tempo, posso agora dizer que este foi o workshop mais difícil que até hoje enfrentei.

Maria do Rosário mostra-nos a sua casa. Um olhar puro, genuíno, de uma realidade que não é comum ver em exposições.

Os resultados compensaram largamente as preocupações. Pouco a pouco, os participantes – ou as participantes, já que havia apenas um homem – lá foram captando aquilo que a sensibilidade individual lhes apontava. Na maior parte dos casos, as temáticas escolhidas espelhavam o seu quotidiano, estivesse ele contido no sofá e no louceiro lá de casa, numa jarra de flores, no gato de estimação, nos trabalhos da horta ou na visita que os netos fizeram durante o fim de semana. Fotografias espontâneas, puras, de um universo pessoal que só muito raramente chega aos olhos do público.

Os participantes e as suas obras. Foto de Isabel Pinto, co-autora de um livro sobre o projeto Entregerações, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Deste enorme conjunto de imagens, resultou uma exposição que, ainda antes de passar pela Biblioteca Municipal de Bragança (com direito a visita organizada para os orgulhosos autores), esteve patente em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian – patrocinadora do projeto Entregerações, do qual esta experiência faz parte.

Mas esta é apenas uma das faces da moeda de que falo no título.
A outra – a minha própria exposição, a decorrer atualmente em Zamora – foi consequência direta desta pequena grande aventura com os habitantes de Portela.
Não cabe aqui explicar os contornos de como isso aconteceu, fica apenas a ideia de que as coisas (aparentemente) menores desaguam noutras (aparentemente) maiores.

Às vezes, a vida presenteia-nos com coisas destas. Um sinal claro de como é bom mantermos um espírito aberto.

A exposição Fronteira Invisível decorre na sala de exposições da Fundação Rei Afonso Henriques, em Zamora.