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Para o Henrique, que me tem “acompanhado” nestas viagens.

Há muito que não damos notícias. Não por falta de histórias para contar… antes por falta de tempo para as escrever.

Do ponto de vista fotográfico, entrei num interessante rodopio ainda no correr do mês de agosto; depois, vieram as chuvas… céus fantásticos, lameiros verdejantes, as cores do outono – que me lembre, um dos melhores dos últimos anos (acreditem, é mesmo difícil tirar os olhos da janela enquanto escrevo estas linhas!).

O levantamento fotográfico que me foi pedido, fez-me viajar por boa parte de Trás-os-Montes e pelas províncias espanholas de Zamora e Salamanca. E deu-me a sentir, uma vez mais, o privilégio que é viver e trabalhar nesta região da Península.

Num dia repleto de boas observações, captei este macho solitário ao crepúsculo… num arrojado ISO de 1600.

Pelo caminho, captei os derradeiros mergulhos em rios de águas límpidas (no que sobrava de verão), assisti à brama do veado nos amanheceres frescos de setembro, segui rebanhos de churras-bragançanas (a mesma raça do cordeiro que há tempos criei aqui em casa), acompanhei a vindima nas encostas suaves e mornas de Valle Pradinhos, vi tratar o queijo terrincho nas mãos sábias que o produzem, como também vi a amêndoa ser descascada e as primeiras castanhas serem colhidas.

Pessoas simples, generosas e sempre disponíveis para me ajudar no meu trabalho… ainda que interrompendo temporariamente o seu.

Deambulei por bosques de bétulas, carvalhais e soutos (que abundância de cogumelos, este ano!) e assisti às primeiras neves. Conheci gente generosa e acolhedora – que não poupa nos sorrisos e tem sempre alguma coisa para dar: um copo de vinho, pêssegos, uvas, amêndoas, queijo, figos, pão… quando descarregava o carro parecia que vinha do supermercado. Tanta coisa boa, até parece alucinação, não é? Ou então é só a minha forma de ver e sentir as coisas.

Passei todo um dia neste bosque, onde cheguei logo pela manhã com neve nos cumes e -2ºC. Não é raro ver aqui corços… uma jóia perto de casa.

Há muito que não via tantos cogumelos. O outono tem sido generoso…

Ontem, regressei do Barroso. Um passeio fotográfico calmo, chuvoso, mas muito bonito. Reencontrei amigos. Senti-me em casa (o efeito Trás-os-Montes, outra vez).

Agora, com o passeio fotográfico a Villafáfila a espreitar no calendário, parece que já ouço os bandos de gansos a chegar do Norte e a encher os céus e a planície. As chuvas abundantes deste outono são um bom presságio…

Poucas horas após fotografar esta fêmea, apanhei um susto de morte : dois grandes veados cruzaram repentinamente a estrada a poucos metros do pára-choques.

Para a fotografia de veados, às vezes o melhor é ficar dentro do carro. Para os gansos de Villafáfila o princípio também se aplica.

Se tudo correr bem, devem estar a chegar…

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3 Respostas to “Notícias”

  1. Tiago Barata Says:

    Mais um belo texto 🙂 Só me apetece largar o trabalho e rumar a Norte, a terras Transmontanas! Que saudades do frio, dos belos repastos à lareira, dos cogumelos iluminados ao crepusculo e, acima de tudo, de pessoas simples e verdadeiramente genuínas! Abraços e bjs à família

  2. Sofia Sampaio Says:

    Que bem sabe ler as vossas notícias!
    Faz 3 anos que também mudei de uma vida citadina para uma vida rural. Moro em Ferraria de S. João,uma aldeia inserida na rede das Aldeias do Xisto (www.aldeiasdoxisto.pt). E já dei por mim a vivenciar algumas experiências idênticas às vossas. A serra da Lousã está bem recheada de veados e também já tivemos a sorte de nos cruzarmos com estes nobres animais em várias ocasiões.
    Gostava muito que um dia nos viessem visitar (www.vn-nature.com) e porque não retratarem e divulgarem as Aldeias do Xisto com o vosso olhar e s vossos textos sempre tão ricos!
    Fica o desafio…

    Sofia Sampaio
    (Prestes a ser mãe de gémeos!)

  3. Luisa Vicente Says:

    É mesmo bom ler as vossas notícias; deliciei-me a ler o vosso texto e ver as belas fotografias!!! Maravilha!!!
    Apesar de conhecer Trás-os-Montes por ter um marido transmontano, as imagens aqui reproduzidas, aconteceu-me o mesmo que ao Tiago Barata, isto é, meter-me ao caminho e ir até essas terras frias mas acolhedoras.
    Obrigada Ana e António pela partilhas das vossas experiências.
    Um abraço da
    Luisa Vicente

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