Férias, doces férias

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Não era suposto estas férias terem sido assim. Havia uma viagem marcada há vários meses, projetada à volta de mapas, guias e recordações. Havia rotas desenhadas em tom fluorescente e expectativas. Sobretudo, muitas expectativas. Porque era um sítio onde há muito queria voltar e onde há tanto tempo planeávamos levar as crianças… Contas feitas, passagens aéreas reservadas, tenda a postos.

E depois dei uma queda no final de maio: nada de muito grave, nenhum osso partido, umas dores ocasionais. Faltavam cinco semanas para a partida, até lá a coisa resolvia-se. Não resolveu.
Cancelar a viagem foi mais doloroso do que todos os tratamentos. Um país é muito mais do que um ponto geográfico quando os sonhos se intrometem.

Felizmente, recorremos ao sítio ideal para seguir, à risca, as ordens do médico: evitar o sol, fazer caminhadas curtas, muito repouso.
Desde então, as férias tem sido passadas junto a margens sombrias de rios, onde os miúdos se lançam em saltos destemidos. Vozes cautelosas garantem que a água é gelada, mas ninguém diria, pelo tempo que passam lá dentro.
Há também estradas vazias para lançar papagaios ao vento… E prados verdes, palco de gritos e correrias, que abrigam insetos que apanham com cuidado para nos mostrarem as suas cores espantosas.

Nesse lugar, as noites mornas permitem jantares sob o céu estrelado, que uma noite nos brindou com o meteorito mais perfeito que alguma vez vimos. Ao crepúsculo, aparecem nuvens rosa e, em várias ocasiões, raposas que descortinamos em brincadeiras e caçadas. Nos dias mais quentes (e como são quentes, às vezes), abrigamo-nos à sombra de duas nogueiras, onde os almoços são acompanhados pela algazarra dos estorninhos, e as conversas giram à volta dos planos para os próximos dias.
Porque continua a haver ainda muito por explorar e descobrir à volta de casa, afinal um ótimo destino para passar as férias.

P.S. Mas o verão não fica completo sem dar um salto ao lugar de sempre, aquele que também nos aquece a alma nos dias mais frios, quando recordamos os dias fantásticos passados junto ao mar.

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4 Respostas to “Férias, doces férias”

  1. manuela matos monteiro Says:

    Se fosse precisa mais uma prova, aqui está ela: os bons lugares do mundo sao os que partilhamos com aqueles que mais amamos. Depois, é olhar o que nos rodeia como se fosse novidade (e é sempre!). A camera fotográfica, seja ela qual for, é a parceira que nos permite registar visualmente o que vivemos e partilhar com os amigos como o António sabe tao bem fazer. Apesar de nao te impedir de viver intensamente o mundo à tua volta, as melhoras!

  2. Pedro Sarmento Says:

    estava a gostar até ao momento em que disseste que não tinhas partido nada

  3. Antonio Barrote Says:

    Olá. Envolvido na leitura simples e sucinta, ja não preciso de férias. Abraço.

  4. Nuno Duarte Santos Says:

    Magnífico. Esse paraíso onde estiveram, as respectivas fotos e a capacidade de ver e sentir o que nos é oferecido.

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