Click!

by

“A qualidade nunca é acidental; é sempre o resultado de um esforço inteligente.”
John Ruskin

Quando mostrei ao meu filho a imagem que abre este post, ele exclamou: “fixe, pai!” E de seguida perguntou: “como é que fizeste isso no Photoshop?”

Ora, a imagem foi captada assim mesmo, durante o workshop A Arte de Ver, que orientei em Bragança no passado fim de semana. Não tem Photoshop, nem é artifício de qualquer câmara digital hi-tec. Basta selecionar uma velocidade de obturador lenta e premir o disparador enquanto se desloca a câmara na vertical. Tão simples quanto isso.

A técnica, que resultaria de igual forma com qualquer câmara de película, produz um resultado gráfico muito atraente; no entanto, está longe de poder ser aplicada de forma indiscriminada. Basta dizer que não funciona bem com qualquer assunto; e mesmo que se esteja perante o assunto certo – um bosque de coníferas, neste caso – o efeito depende muito do sítio para onde se aponta a máquina fotográfica (fruto do conhecimento da luz) e da distância focal escolhida (resultado da sensibilidade estética e do conhecimento técnico).

A verdade, porém, é que as palavras do meu filho traduzem na perfeição o que vai na alma de muita gente: uma tendência atual para o automatismo, o efeito fácil da tecnologia, o cut and paste travestido de arte. O software e a tecnologia aliciam-nos para isso, é indiscutível, mas só vamos por aí se quisermos.

A criatividade, o sentido estético, a inspiração, a aprendizagem dependem da nossa capacidade cerebral e da nossa sensibilidade… resultando numa espécie de certificado de autenticidade de tudo aquilo que fazemos. E a fotografia não é exceção.

Cumpre-se agora um ano da decisão de abrir as portas de minha casa a fotógrafos que queiram aprender de forma personalizada as diferentes facetas desta arte: aquilo a que chamei SOLO Workshops.

Há quem tenha vindo no verão para passar um dia no campo, exercitando o olhar, tentando perceber melhor as nuances da luz, ao mesmo tempo que conhecia a região; outros escolheram o outono para estudar a perspetiva e a composição, destilando os ingredientes mágicos das imagens até chegar à essência (com a qual começarão a perfumar o seu próprio trabalho); e houve quem preferisse o pico do inverno para, no aconchego panorâmico da sala, aprender a utilizar software de pós-processamento e a produzir impressões de qualidade – o software numa perspetiva de ferramenta e não de obra acabada, que é como as coisas devem ser.

Nestes workshops, a minha tarefa não é desenrolar o novelo da fotografia pelo participante, mas antes indicar as várias pontas por onde ele deve ser desenrolado – e, de acordo com a personalidade, gostos e estilo de cada um, sugerir como o deve fazer.

© Ana Pedrosa. A vista da sala de aula dos Solo Workshops ajuda à inspiração. Às vezes, até as oportunidades fotográficas vêm ter connosco.

Cada um de nós tem um potencial enorme à espera de ser despertado. Às vezes, só é preciso um cenário propício e alguém por perto para ajudar. É que o click do título deste post não é o do rato do computador, nem sequer o da câmara fotográfica…

…É, tão-só, o clique mental que pode fazer acontecer o que de melhor há em nós.

Anúncios

2 Respostas to “Click!”

  1. João Peixe Says:

    Muito bom António essa ideia do SOLO Workshop.

    A técnica da 1º foto sempre penssei que fosse mexer a máquina para o lado. Ainda vou experimentar a ver o que faz…heheh

    Um Abraço e tudo a correr bem.

  2. Luis Says:

    Antonio, foi uma grande experiência e é normal lembrar-me dela quando por vezes falha a inspiração. A verdade é que a forma como se abordam as coisas em conjunto permitem ganhar uma visão diferente, um soltar das barreiras e abrir outras perspectivas.

    Na próxima vou de avião.
    Abc e cumprimentos à família que tão bem me recebeu.

Os comentários estão fechados.


%d bloggers like this: