Solo mio

by

Ando para aqui a fazer workshops há mais de 10 anos – sobre estética fotográfica, sobre técnica, workflow, viagens, natureza…, no Porto, em Lisboa, em Espanha, na Turquia e até numa aldeia vizinha do local onde agora vivo – e fica-me sempre uma ponta de angústia quando se trata de ajustar um discurso que sirva as expectativas da plateia.

A sala de aulas dos workshops individuais é espaçosa e tem muita luz.

Habitualmente, promovo uma apresentação individual para melhor perceber quem tenho à frente; mesmo assim, não consigo evitar repetir assuntos que alguém assimilou há muito ou, pelo contrário, nomear conceitos conhecidos como se todos tivessem obrigação de já os ter aprendido.

A paisagem reflectida no espaço interior dos Solo Workshops.

Nada mais natural.
Os grupos que se reúnem por ocasião de um qualquer workshop são muito heterogéneos… há quem conheça a fundo todas as funções da câmara fotográfica e apenas sinta insuficiências nas questões estéticas e criativas, e quem não tenha qualquer problema em isolar visualmente grandes imagens… para logo a seguir as condenar com uma velocidade demasiado lenta ou uma profundidade de campo particularmente ingrata. Todos os participantes, no entanto, estão ali porque o tema interessa a sensibilidades, experiências e conhecimentos muito distintos. No final, é frequente receber comentários de que “o workshop superou as expectativas”, ouvir alguém de sorriso nos lábios confessar “aprendi muito” e, pelo meio, mais uns quantos a perguntar “quando é o próximo?”.
Ou a experiência me tem realmente valido nestas coisas, ou as pessoas estão a ser muito simpáticas comigo.

A experiência do espaço muda radicalmente com as estações; por agora está assim...

Seja como for, entendi que já era altura de abrir caminho a aulas particulares… uma espécie de consultório técnico-artístico onde as maleitas de cada um serão alvo de atenção particular mediante, até, de “métodos complementares de diagnóstico” previamente solicitados (um inquérito que permite apurar melhor as necessidades do fotógrafo em causa).

... mas no Outono é assim...

A ideia dos SOLO Workshops não é nova nem original – apenas o nome saiu de uma reflexão pessoal. Há muito que nos Estados Unidos se fazem workshops “One on One”, também chamados “One to One”, dedicados às questões fotográficas e, como o próprio nome indica, incidindo sobre as necessidades específicas de um indivíduo.
Em 2001, no âmbito do workshop colectivo “The Lyrical Moment”, ministrado em Santa Fe, Novo México, por David Alan Harvey (fotógrafo da Magnum e National Geographic), também eu pude beneficiar dos méritos desta forma personalizada de ensino – só que apenas durante uma hora… o resto era andar em campo e assistir a sessões matinais com mais 13 colegas americanos, cada um com o seu projecto fotográfico.
Mas há que dizer que foi aquele curtíssimo “One to One” que me deu a confiança para apostar na estética de um projecto do qual eu próprio duvidava: a história de um triângulo familiar na intimidade de um lar americano insolitamente simples: sem água canalizada nem electricidade.

... e no Inverno assim

Não quero, nem por sombras, comparar-me a estes fotógrafos de grande calibre, mas estou consciente que o meu percurso profissional de 16 anos, mais 15 como amador, me permite enveredar com toda a segurança pelo caminho de formador à la carte.
Um cenário idílico como sala de aula e uma refeição caseira in situ farão com certeza o resto.

Uma imagem do projecto que beneficiou do curto One to One que tive com David A. Harvey

Anúncios

2 Respostas to “Solo mio”

  1. Cap Créus Says:

    Claro que sim!
    Um abraço e boa sorte!

  2. Pedro Brochado Lemos Says:

    Conte com um freguês. In situ, on line, seja como for seria não só um prazer, como um grande benefício. Sinceramente, acho os ws pouco produtivos, no sentido de que não estão adaptados às necessidades e capacidades de cada um.
    A fotografia é um acto individual, solitário, quase intimista e penso que uma formação que corresponda a estas características só pode ter vantagens.
    Digo-lhe mais, aquilo que eu verdadeiramente gostava – e precisava – era de poder contar com um olhar crítico, um conselho atento, uma palavra acertada de alguém com mais experiência do que eu.
    Não é fácil de encontrar quem esteja disposto a fazê-lo…

Os comentários estão fechados.


%d bloggers like this: