Marraquexe

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Quando, há poucas semanas, passeava em plena praça Djemaa el Fna, na companhia da minha família, estava muito longe de imaginar que esta seria palco de um brutal atentado.

Regressei a Marrocos precisamente para mostrar aos meus filhos que o mundo é feito de diversidade; que os nossos vizinhos não são todos iguais – no vestuário, na língua, nas tradições, na arquitectura, nas crenças – mas que apesar disso, e no essencial, partilhamos as mesmas necessidades, as mesmas paixões, as mesmas alegrias e as mesmas tristezas… Quis mostrar-lhes como é fácil sentirmo-nos em casa em qualquer parte do planeta; quis ensinar-lhes que é nesta universalidade que reside a magia da espécie humana.

Ter curiosidade pelo próximo, procurar entender o seu ponto de vista sem nunca tentar impor o nosso, fazer esbater a condição social, religião ou raça e saber ignorar nacionalidades, fronteiras, hegemonias e patriotismos bacocos, sempre foram princípios que me ajudaram a crescer como viajante, como pessoa e, também, como fotógrafo.

Como muitos visitantes estrangeiros de Marraquexe, também eu passei várias vezes pelo Café Argana. Agora que explodiu, levando com ele a vida de uma quinzena de inocentes, importa travar as ondas de choque, para que estas não desencadeiem mais um terrível mal entendido. Importa lembrar que também França, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Portugal já viram, na sua história, atentados bombistas movidos por cidadãos dos respectivos países. E importa lembrar isso, porque deste lado do Estreito não faltarão pessoas a catalogar de radicais islâmicos todo um povo que não tem nada a ver com o que aconteceu.

O que aconteceu em Marraquexe foi um acto de loucura – como são os tiroteios fatais nas escolas americanas, finlandesas ou alemãs. E um acto de loucura ou um atentado terrorista – tanto faz – é mau em qualquer altura, em qualquer país.

Os meus filhos gostaram muito dos 5 dias que passaram em Marraquexe. Após o regresso, pude ver como apreciaram todas as diferenças e todas as semelhanças entre as duas culturas – e como isso os fez crescer na admiração que vão tendo pelo mundo.

E porque tudo isto é precioso demais para se perder no discurso baço das televisões, ilustro este post com momentos bons da nossa passagem por aquela cidade… quanto mais não seja, em homenagem àqueles que já não os podem viver.

© Mariana Sá

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7 Respostas to “Marraquexe”

  1. Manuela Matos Monteiro Says:

    Antes de mais, parabéns à Mariana pela bela fotografia. A qualidade e sensibilidade das outras nem vale a pena ser referida.
    Acho muito oportuna a memória das ocorrências terroristas na Europa: o IRA no Reino Unido, os Bader-Meinhoff na Alemanha, a ETA em Espanha, as Brigadas Vermelhas na Itália … Foram dezenas os atentados que mataram centenas e centenas de pessoas. Convém não esquecer que o terrorismo não é uma produção dos nossos dias. Ontem como hoje, são comportamentos inqualificáveis que não justificam nenhuma causa.
    Que viva Marraquexe e todas as viagens!

  2. João Almeida Says:

    Por acaso estava curioso sobre o que iriam escrever de Marraquexe, em especial depois do atentado.

    PS- conheço aquele pátio com o tabuleiro de chá 😉

  3. Patrícia Posse Says:

    Mas que texto belíssimo… Era tão importante que os progenitores contemporâneos tivessem essa preocupação com as lições de vida que passam aos mais pequenos…
    E claro, as fotos são de prender o olhar 😉
    beijinhos

  4. Miguel Vieira Says:

    Belo texto!
    Também estive no Café Argana, por 2 vezes, em Novembro passado.
    As fotografias continuam cativantes e a Mariana já está bem encaminhada para continuara obra do pai!

  5. luisf Says:

    António e Ana,
    Muito para além das palavras certas e das imagens que nos “amarram” fica a vossa forma de olhar o Mundo e o vosso humanismo. Ser grande é isto mesmo: conseguir ver o essencial.
    Um abraço forte,
    Luís.

  6. susana ferreira Says:

    Olá Ana e António!
    Adorei as fotografias (como sempre!) e a Mariana está mmo de parabéns.
    Qnto ao texto, espelha bem a vossa forma de estar na vida que partilho por completo e me faz querer sempre regressar à vossa companhia.
    Até breve, um abraço,
    Susana Ferreira

  7. Maria Cândida Maia Says:

    Ana e António
    As fotos são belíssimas mas o que quero comentar é o texto: fossem todos os Pais assim e o mundo seria outro…sem violência e com respeito e amor pela Natureza
    Parabens e beijos a toda a família
    Maria Cândida

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