Vai um Porto?

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Confesso que, às vezes, não sei bem o que esperar dos workshops que idealizo.
Os grupos de participantes têm sido tão heterogéneos – na sensibilidade, na experiência e nos gostos – que me é sempre difícil prever os resultados práticos para cada pessoa que investe numa formação deste tipo.

© Marcos Oliveira. Eis como uma simples tampa de saneamento serve de plataforma para uma bela imagem da Cadeia da Relação. Excelente luz, perspectiva inteligente e composição irrepreensível.

Enquanto desenvolvia o programa para o workshop Um Novo Olhar Sobre o Porto, no silêncio do meu “bunker” criativo, estava longe de adivinhar que seria realmente possível levar estes fotógrafos a interiorizar o conceito e a produzir imagens deveras interessantes em poucas horas… de um fim-de-semana chuvoso.

© Ana Rosas Oliveira. Muito salitre e espuma no ar... a identidade marítima portuense a fechar o périplo pela cidade.

A ideia que apresentei a Serralves consistia numa abordagem fotográfica ao espaço urbano, tendo diversas facetas da cidade do Porto como pano de fundo.
Assim, iniciámos um périplo que nos levou dos aspectos contemporâneos do Museu de Serralves aos clássicos da Baixa, e da emblemática Ribeira até à frente marítima da Foz. Chamei a isto: Porto Novo, Porto Vintage, Porto Fluvial e Porto de Mar.

© Joana Pinhal. As portadas de madeira naquele vermelho "sangue de boi", o vidro meio opaco e a própria janela como moldura... o romantismo da cidade numa foto.

Abrindo com uma manhã de contextualização em sala e fechando com uma tarde de revisão das imagens também em sala, o espaço para a captação estava reduzido a uma verdadeira corrida visual, capaz de deixar mal o mais experiente dos fotógrafos.
É por isso que me sinto orgulhoso dos participantes. Porque apesar do horário exigente (com mudança de hora traiçoeira pelo meio), do frio e da chuva, da distância (alguns vieram de longe) e das insuficiências técnicas, conseguiram demonstrar que ainda não há tecnologia que se sobreponha à sensibilidade pessoal e à capacidade de olhar.

© Rodrigo Cardoso. O Douro na versão prata. Às vezes, a simplicidade é a melhor abordagem possível.

E se melhor prova não houvesse, digo-vos que o simples facto de rever estas imagens me deixou cheio de vontade de deambular pelo Porto dias a fio.

Podíamos perfeitamente chamar ao resultado final… Portobello!

© Fernando Rodrigues. Um gelado saboreado a olhar para o jardim (à espera que a chuva passe?). Os grandes envidraçados do Museu de Serralves permitem estar lá fora mesmo quando estamos cá dentro.

© António Botelho. Houve quem visse os corredores desenhados por Siza através das obras contemporâneas que lá estão expostas. A arquitectura através da arte... haverá melhor forma de retratar o Porto contemporâneo?

© Cláudio Alves. Robert Doisneau dizia: "sugerir é criar, descrever é destruir". Aqui está um bom exemplo de como a técnica (profundidade de campo) pode servir a estética.

© Pedro Pais Rodrigues. Houve quem visse um verdadeiro rio na superfície molhada de um banco. A madeira escura possibilitou um reflexo perfeito da ponte D. Luís... o desafio visual do "Porto Fluvial" estava mais do que ganho.

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Uma resposta to “Vai um Porto?”

  1. Luis Says:

    Belos registos António, para quando um workshop desses por Lisboa. Da outra vez o tempo pregou-nos uma partida.

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