¿Y qué tal, Sanabria?

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Pues, muy bien! – diria eu! Houve neve com fartura, houve quem visse corços, um javali e até quem fotografasse uma raposa a atravessar uma laguna gelada, logo pela manhã.

A raposa, captada pelo olhar atento de Hugo Ferreira.

Viver a sazonalidade dos ecossistemas ibéricos através da fotografia foi o objectivo que, desde sempre, orientou os passeios que organizamos desde 2004. Não espantará, portanto, os nomes que levam estas actividades: Outono em Montesinho, Outono No Barroso, Inverno em Sanábria, Primavera no Douro Internacional, Primavera no Baixo Vouga Lagunar… e outras, que não tendo a estação do ano acoplada à respectiva região, se adaptam como uma luva a diferentes épocas (como é o caso de El Bierzo, realizado tanto no início do Verão, como no Outono).

Estes passeios são, afinal, o reflexo daquilo que durante tantos anos eu e a Ana fizemos aos fins-de-semana, desde que nos conhecemos, em 1989.
Daí para cá, e estendendo os horizontes com a mesma curiosidade e entusiasmo a vários pontos do globo, fomos publicando o conhecimento acumulado em diversas revistas da imprensa nacional e estrangeira – particularmente a espanhola – realçando, a cada reportagem (tanto quanto possível), os aspectos naturais dos destinos para onde viajávamos. Foi assim com o Bornéu, Islândia, Irlanda, Marrocos, Mongólia, China, Estados Unidos, Namíbia, Alasca, Brasil, Cabo Verde, Eslovénia, Finlândia… e por aí fora.
Apesar do exotismo de culturas e paisagens muito diferentes, nunca esquecemos a beleza e a biodiversidade da nossa Ibéria natal. Por isso, a certa altura, pareceu-nos mais do que óbvio partilhar com outras pessoas o “desconhecido” território onde vivemos.

A Península Ibérica representa um reduto importante para inúmeras espécies que há muito sucumbiram a uma Europa em desenvolvimento desenfreado. Poderia falar do lobo, a título de exemplo, mas temo que a lista precise de várias páginas para indicar o que já não podemos ver em boa parte do nosso continente: dos insectos aos répteis, dos peixes aos mamíferos, das aves à flora.
E é aqui que regresso a Sanábria.

Um simples passeio em caminhos nevados, ao longo de rios ainda limpos e carvalhais em repouso invernal, desperta-nos a mente para o que ainda temos de bom por aqui (Portugal ou Espanha, tanto faz, porque o nosso património natural é em tudo semelhante).
É crucial que vamos conhecendo a importância fundamental destas paisagens na manutenção da vida silvestre, para nunca deixarmos que políticos menos escrupulosos as hipotequem em nome de algo bem menos relevante.
Em Portugal temos ainda um grande défice de conhecimento sobre os aspectos naturais que nos rodeiam. Qualquer criança sabe o que é uma girafa ou um elefante, mas ignora (como muitos adultos, aliás) que nos nossos melhores bosques vivem lobos, corços, veados, javalis, texugos, ginetas… para falar apenas nalguns mamíferos.

A abordagem cautelosa... não vá o gelo partir. Foto © Mário Ferreira.

...E o resultado da minha aproximação.

Mas para aprender mais sobre a nossa natureza, abandonando temporariamente o conforto dos sofás, as luzes brilhantes da cidade e o mundo de gadgets disponíveis nos centros comerciais, precisamos de bons pretextos. A fotografia é um deles… uma espécie de porta mágica que nos puxa para fora da cama em manhãs gélidas, em busca do momento perfeito.

Da nossa parte, queremos continuar a abrir essa porta.
Neste ano tentaremos revelar novos destinos, mas é bom saber que as rotas de sempre se mostram fantásticas a cada visita… como Sanábria acaba de provar.

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2 Respostas to “¿Y qué tal, Sanabria?”

  1. Luis Matias Says:

    Hugo Ferreira, o grande caçador de raposas, em imagens é claro…

  2. João Almeida Says:

    Que pena tive de ter perdido esta pérola…

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