Para que servem as fotografias, afinal?

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Antes de mais, gostaria de vos cumprimentar com a mensagem abaixo.

Agora que o fiz, falemos um pouco da razão e do alcance das imagens que vamos captando ao longo da vida.
A revolução digital trouxe, no meu entender, um problema grave à fotografia: o incremento indisciplinado no número de disparos que fazemos. Aquilo que há uns anos era resultado de análise, técnica e observação, passou (para muitos) a ser um acto gratuito, um facilitismo redutor, que em nada beneficia a qualidade final. Hoje, enchemos gigas de cartões com o mesmo critério de quem vai ao supermercado perante um cenário de guerra iminente. Já não temos de pagar rolos nem revelações, nem sequer estamos limitados ao fatídico número 36, é certo, mas… pensemos um pouco: para quê tantas imagens, se nem nos dignamos a dar-lhes sentido com uma qualquer utilização?
Era aqui que eu queria chegar.

O rol de imagens deste post mostra alguns dos últimos cartões de Boas Festas que concebi para enviar por correio electrónico e convencional. Para tal, escolhi imagens de Sanábria (o postal deste ano), do Alasca, do Barroso, da Noruega. Ao ter de seleccionar uma imagem para enviar aos familiares e amigos, não só revisitei o respectivo ano fotográfico (com memórias de excelentes passeios e viagens), como também me obriguei a uma análise criteriosa daquilo que consegui fazer. E isto, caros leitores, é para mim o melhor motor da técnica e da criatividade.

Em boa verdade, sempre fiz questão de reafirmar o papel crucial que a escolha de imagens tem na nossa evolução enquanto fotógrafos. Quando somos confrontados com os disparates que fazemos, vamos certamente tentar evitá-los na próxima saída. De igual forma, só analisando o nosso trabalho podemos concluir que as fotos captadas com a câmara mais cara são, afinal, as piores (isto é uma hipótese, mas acontece!).
Mas nem tudo tem de ser assim tão trágico. Às vezes, lá pelo meio, descobrimos uma sequência de fotografias que nos mostram um novo discurso estético; algo que até aí desconhecíamos em nós próprios e que pode apontar um novo caminho.

Por isso, aqui fica o meu repto para o novo ano que aí vem: vamos lá procurar uma bela imagem para desejar um bom 2011. E para que a coisa não fique apenas pelo mundo virtual (que é outro senão da era digital), toca a imprimir o resultado numa impressora de qualidade fotográfica. Vai ver que não há nada que chegue ao objecto físico! Uma fotografia a sério, caramba!

E a seguir, o que fazemos? Bem, agora que conseguiu o postal, poderá passar ao poster para afixar no seu local preferido (não tem de comprar a impressora, pode mandar imprimir o ficheiro); ou então elabore um calendário com as imagens que captou nas diferentes estações do ano. Se gostar do resultado, então mais cedo ou mais tarde vai querer fazer uma exposição. E depois outra… e mais outra.

Uma das hipóteses para este ano - um rebento que emerge do gelo - foi preterida em relação à dos cavalos na neve. Ambas foram captadas em Sanábria.

De repente, quando olhar para trás, verá o quão distante está das primeiras imagens. Porquê? Porque de cada vez que se obrigava a fazer uma selecção – para o postal, para o calendário, para o poster, para a exposição – colocava todo o seu trabalho em perspectiva. E apesar das angústias, foi isso que o fez evoluir.

E, sobretudo, sempre que voltamos a olhar para a imagem que um dia colámos na parede, regressa aquela boa sensação que nos faz querer pegar na máquina uma e outra vez.

Bom ano!

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8 Respostas to “Para que servem as fotografias, afinal?”

  1. Cap Créus Says:

    Totalmente de acordo e obrigado pelos sábios conselhos!
    Um abraço

  2. Hugo Boleto Says:

    Excelente conselho. Realmente nada supera uma das nossas fotos penduradas na parede.

  3. Luis Says:

    Sábias palavras. Um feliz natal e o desejo de um excelente 2011 para todos.

  4. Pedro Says:

    Eu costumo fazer livros com as minhas melhores (?) imagens que depois ofereço em aniversários e tal.
    Este ano, no Natal, vai tudo corrido a books impressos no Blurb.
    E faço um best of de cada ano, com uma impressão melhor, do Asuka.
    Tenho algumas impressas na parede do escritório.
    A ideia do postal de boas festas é excelente.
    Vou ver se consigo corresponder ao desafio e preparar um.
    Bom Natal.

  5. João Peixe Says:

    Sempre bons conselhos e ideias!!

    Um Feliz Natal e um Bom Ano novo!

  6. José Martins Says:

    Toni, Ana e miúdos,
    Sábias palavras só podem ser de um sábio Homem!
    Um excelente 2011 e com muitos disparos com a qualidade a que estamos habituados.

    2 abraços e bjs prás miúdas

    José Martins e Cia

  7. luisf Says:

    Que os vossos cliques continuem a desafiar os nossos olhares!
    Um admirável Ano Novo, Ana e António.

  8. elsaviegas Says:

    Ah poeta! Se eu tivesse um milionésimo do teu talento… não andava a fazer calendários!
    Um grande ano para todos aí em casa!
    Bjos.
    Elsa

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