Mais vale uma molha no campo…

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Já o disse várias vezes: não há duas saídas iguais, ainda que para o mesmo destino. Em fotografia, ter esta noção é particularmente importante, uma vez que as diferenças de luz entre duas visitas consecutivas podem, de facto, dar origem a fotografias também muito diferentes.

Uma vez disseram-me que “os fotógrafos que trabalham para revistas de viagem são uns mentirosos!… porque quando vamos aos mesmos sítios onde eles estiveram as coisas nunca são tão bonitas”. Em parte, isto deve-se ao olhar mais criterioso e à experiência do “observador profissional”, mas a justificação de peso para aquele comentário é, afinal, o ovo de colombo da fotografia: se a luz não está boa para captar uma determinada imagem, ou se volta lá noutra altura ou mais vale fotografar outra coisa qualquer. Actualmente, as pessoas têm tendência a esquecer isto por duas razões: porque acham que a câmara que lhes custou uma fortuna tem obrigação de resolver tudo no momento do disparo – por pior que esteja a luz -, ou porque têm uma fé inabalável no Photoshop, que lá em casa dará conta do recado.

Recentemente, nas duas edições consecutivas do passeio fotográfico ao Douro Vinhateiro, pude uma vez mais comprovar que a luz continua a ser o factor determinante em fotografia (ou não estivesse ela na génese da própria palavra).
Se no primeiro fim-de-semana tivemos dias plenos de sol e céu azul, no seguinte fomos confrontados com chuva e céus carregados com algumas abertas, o que originou imagens mais límpidas e cromaticamente ricas. A explicação é simples: a chuva limpou a atmosfera e reduziu a bruma, ao mesmo tempo que tornou a vinha mais brilhante; as nuvens escuras acrescentaram dramatismo sem queimar as zonas de céu; e as abertas, quando as havia, criavam uma fantástica alternância de luz e sombra na paisagem, tornando-a mais tridimensional e vibrante. Em fotografia de exterior não se pode pedir muito melhor que isto.

À noite, junto às gravuras rupestres do Côa, e apesar do valente aguaceiro, já pudemos controlar a nossa própria luz, enquanto no dia seguinte refugiámo-nos no interior do novo museu, onde consta que não chove… e onde também se pode fotografar.

Isto só vem dar razão a duas frases que gosto de repetir:
– a luz está sempre boa para alguma coisa
e
– mais vale apanhar uma molha no campo do que uma seca em casa.
(um dia tenho de registar estes ditos).

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5 Respostas to “Mais vale uma molha no campo…”

  1. Xana Says:

    Sim, regista os ditos! Tu/vocês têm ditos maravilhosos, vai ser bom poder relembrar alguns e conhecer outros :)!

  2. Pedro Says:

    Porque é que não publica as fotografias um nico maiores?
    Assim, mal dá para apreciar…

  3. Diogo Says:

    “Mais vale uma molha no campo, do que uma seca em casa!”
    Muito bom! 🙂

  4. Sérgio Says:

    Fotos fabulosas sem dúvida!!!

    Para o ano já terei mais tempo livre e tudo farei para não faltar!

  5. antonieta matos monteiro Says:

    MAIS VALE… IR ÀS DUAS OU TRÊS EDIÇÕES.

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