Então, e que tal a Islândia?

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Como sabem, em Julho regressei à Islândia para mais uma viagem Nomadfoto. Entretanto, meteu-se a mudança de casa e não dei grandes notícias… até agora.

Este é um daqueles destinos que nos recorda a cada segundo que, por mais voltas que se dê à tecnologia e ao pós-processamento digital, não há nada que chegue à qualidade da luz no momento fotográfico. Nesta imagem, a alternância de sombra e luz ajudou a destacar a igreja sobre o fundo escuro das montanhas, ao mesmo tempo que deixou os carneiros pretos sobre uma parte iluminada do prado. Agora, imaginem a mesma foto num dia de céu limpo, ou uns segundos mais tarde… com uma nuvem “por cima” da igreja. You know what I mean?

A gaivina-do-árctico é o animal do planeta que faz a maior viagem de migração: da Antárctida ao Árctico, para nidificar, e no sentido inverso, em busca do Verão austral. Quando captei esta imagem, estava muito próximo de uma colónia de nidificação… o que levou as aves a fazer voos picados sobre a cabeça (algo suficientemente dissuasor, acreditem!). Deitei-me de costas e apontei uma objectiva 12mm para o céu, em focagem manual; ainda que não pareça, a gaivina em primeiro plano está apenas a cerca de 50cm da minha cara.

Esta queda-de–água é daquelas que dá para passar por trás (há pessoas no caminho, do lado direito). É um sítio muito bonito, onde o grande desafio reside na perspectiva… de baixo para cima, de cima para baixo, da frente para trás ou de trás para a frente, com grande angular e de mais próximo ou com tele e de mais longe? Às vezes, isto dá com um fotógrafo em louco.

Quando a luz está menos boa, viro-me para o preto e branco. Muitas pessoas perguntam-me porque escolho captar logo a preto e branco, se posso converter a imagem mais tarde. A razão é simples: gosto de comprovar no LCD se as coisas funcionam realmente bem; uma vez feita a prova, continuo a preto e branco assumida e descomplexadamente. Afinal, não era assim com a película?

O lago glaciar Jokulsárlón é um verdadeiro “highlight” islandês, mas poucos se deslocam à praia, onde este desagua através de um estreito canal. Ora, é precisamente aqui que se obtêm imagens mais invulgares (como icebergs brancos encalhados na areia preta) e melhor se vêem as focas a entrar e a sair ao sabor das marés.

A viagem deste ano originou uma barrigada fotográfica de aves, em parte graças ao interesse – e conhecimento – que o nosso motorista revelou sobre o assunto. Não foram só os emblemáticos papagaios-do-mar… foram também os cisnes, mergulhões, gansos, ostraceiros, maçaricos e muitas outras espécies cujos locais de nidificação o velho islandês conhecia com precisão milimétrica. Ora aqui está a importância da sabedoria local!

Foi também graças a este homem, dos seus setenta e tal anos, que acedemos a uma cratera muito próxima da estrada, mas invisível a partir desta. Depois, foi só uma questão de fôlego e força de pernas para conseguir uma perspectiva mais aérea.

Esta foi a minha terceira visita à Islândia, e como fotógrafo só posso garantir que não há duas viagens iguais, ainda que para o mesmo destino.
Sabem?… Podia lá voltar amanhã!

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5 Respostas to “Então, e que tal a Islândia?”

  1. Nuno Duarte Santos Says:

    A Islândia, única. As fotos, magníficas como sempre!
    Obrigado por nos trazeres um bocadinho daquele país. :o)

  2. Mauricio Soares Says:

    Excelentes imagens a desafiar a nova ida, se se mudar um pouco o itinerário estou lá outra vez pois ainda não convenci a Ana a irmos sózinhos à aventura.

    Um abraço,

    Mauricio

  3. Antonio Says:

    Como sempre as imagens são divinais.
    E concordo com o amigo Mauricio, se mudarem o itenerario….eu estou lá outra vez!

    Um abraço,

    Antonio

  4. isabel salazar Says:

    António
    Que espectáculo e o arco-iris …
    Temos que voltar ….como diz o Maurício …porque não?

    A islândia está aqui tão perto!!!!!!!!!! Ou não?????

    Brincando …brincando…
    Bj da
    isabel

  5. Joao Maia Says:

    Voltar à Islândia é sempre um prazer… Para além das paisagens fabulosas, e da luz não menos espectacular, nunca se sabe quando podemos dar de caras com amigos fotógrafos nas ruas de Reykjavik… 🙂

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