Por onde tudo devia começar…

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A fotografia é uma forma de expressão artística tangível e relativamente democrática. Mas também pode ser uma enorme fonte de frustrações, quando fotógrafo e máquina não se entendem. Animai-vos, almas perdidas nos circuitos digitais: tenho andado a pensar na reconciliação.

Para que serve este botão? Porque é que as minhas fotos ficam tão deslavadas? Afinal “WB” não é white & black, mas sim white balance… e o que é isto, afinal? Se eu colocar em “AUTO”, fica sempre bem, certo? (não, errado! – digo eu).
Estas e muitas outras perguntas são-me colocadas em quase todas as actividades que organizo, e embora eu esteja ali para esclarecer dúvidas, não deixa de ser preocupante constatar o enorme fosso que existe entre um artista em potência e as ferramentas do ofício. Tenho conhecido pessoas de grande sensibilidade visual que nunca conseguem traduzir em fotografia toda a riqueza do seu discurso estético. E, no entanto, bastava mexer num botão ou dois para conseguir exactamente o que se pretende. A tecnologia tem a sublime perversão de nos fazer pensar que tudo fica mais fácil. Em parte, isto é verdade, porque as opções que hoje temos nas máquinas fotográficas permitem, mais do que nunca, fazer as coisas como queremos: podemos aumentar a sensibilidade (ISO) de um fotograma para outro (conseguindo, assim, imagens em sítios de pouca luz ambiente sem ter de disparar o flash), alternar entre fotografia a preto e branco e cor sem a maçada de trocar de película, visualizar e corrigir os resultados enquanto estamos no local… já para não falar no tempo e dinheiro que poupamos em deslocações aos laboratórios e nas revelações que o sistema analógico implica.

As minhas máquinas: um telemóvel, uma compacta e duas reflex. Em todas elas sei o que procurar e onde.

Algumas pessoas que me conhecem há mais tempo ficarão surpreendidas com este discurso: também eu já amaldiçoei a fotografia digital e quase jurei nunca me converter a tal religião. Comprei a minha primeira reflex digital – uma Nikon D200 – em Janeiro de 2006 e só a retirei da caixa em Junho, tal era o receio de lidar com tantos botões; e quando finalmente peguei nela, descobri que os resultados ficavam muito aquém dos meus queridos slides! A adaptação foi traumática e muito sofrida, mas hoje posso afirmar que tudo se resume a compreender as ferramentas, porque câmaras digitais e analógicas funcionam de maneira diferente. O facto das máquinas digitais nos darem muitas opções, transformam-nos em crianças numa loja de rebuçados: estamos cercados de boas opções, mas ficamos tão baralhados com a diversidade de sabores que saímos de mãos a abanar, quando chega a hora de encerramento. Pelo menos é isto que me ocorre, sempre que vejo pessoas manhãs inteiras à luta com o botão “menu”, enquanto uma fantástica luz dourada banha a paisagem, arco-íris duplos aparecem nos céus e, ali mesmo ao lado, passam corços, lobos e até unicórnios (ok, já estou a exagerar, mas… percebem a ideia?). E tudo isto, para descobrir que as funções que se acedem no botão “menu” são, afinal, pouco ou nada importantes para conseguir boas fotos (ajustar o fuso horário não vai ajudar a captar o arco-íris que acabou de perder por estar obcecado com o LCD!).

E assim nasce o workshop “Eu e a Minha Máquina” ou “Por Onde Tudo Devia Começar”. É lá que vou dissecar as funções REALMENTE vitais de qualquer máquina fotográfica, para obter resultados consistentes e nunca mais deixar escapar as boas oportunidades.
Se vissem as fotos de unicórnios que eu já consegui…!

P.S.: Poderá ver as datas e locais deste novo workshop na coluna da direita ou em www.antoniosa.com – “Eventos”

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3 Respostas to “Por onde tudo devia começar…”

  1. Manuela Matos Monteiro Says:

    Para além de ser um bom texto e um texto divertido … acerta mesmo nas questões essenciais. Boa ideia a do workshop!

  2. elsa viegas Says:

    Meus queridos Ana e António

    Com voces não sinto a barreira da não presença fisica, nesta comunicação nova,sem corpo. sem voz, sem olhar!!Com voces sinto-me a partilhar com alma !
    Sinto-me completamente rendida aos vossos encantos. Uma arte o vosso blog!Uma peça de arte Ana+António.
    Este Workshop foi feito a pensar em mim!Ou ele haverá por aí mais gente…

  3. susana ferreira Says:

    Olá António e Ana:
    O workshop por onde devia ter começado… mas acho que ainda vou a tempo. Pena é que no fim de semana de Lisboa estou a trabalhar. Aguardo a edição no Porto (se necessário – o que duvido – arranjo candidatos pessoalmente). Parabéns e um abraço.

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