Air bag

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Quando temos nas mãos uma etiqueta como esta, isso é simultaneamente bom e mau.

Mau, porque quer dizer que a nossa bagagem andou perdida algures nos labirintos aeroportuários… e que tivemos de nos safar sem ela durante um, dois, ou mais dias. Bom, porque tudo aquilo que tínhamos tão carinhosamente arrumado e despachado na origem chegou finalmente ao destino.
Nos dias que correm, viajar de avião pode representar uma grande dose de ansiedade e visitas inesperadas aos gabinetes de “bagagem perdida”. As medidas de segurança (que também nos defendem – há que dizê-lo) e a banalização do transporte aéreo, com o aumento exponencial do número de voos, faz com que nos apeteça dar uma festa de boas-vindas às nossas coisinhas, assim que as vemos irromper gloriosamente no tapete de bagagens.

Mas porque é que nos agarramos tanto a isto? Porque é que nos sujeitamos a estragar umas férias, só porque a bagagem não apareceu?
Numa recolha que fiz para o workshop de fotografia de viagens, deparei-me um dia com uma frase sublime: “tudo o que precisa para viajar é um bilhete, passaporte e um cartão de crédito”. Uma segunda frase, acentuava esta perspectiva de outra forma: “Quanto mais bagagem trouxer consigo, mais longe terá de ir para deixar a casa”. Assim que as li, pensei: é este o tipo de pragmatismo que cada vez mais precisamos!

Também eu já cheguei ao destino sem bagagens (onde julga que fui buscar estas etiquetas?) e em Istambul até já tive de correr atrás de uma família que saía do aeroporto com a minha mala – demasiado iguais, pois claro!
Quando nos dedicamos à fotografia, as coisas pioram substancialmente: não só temos pouco espaço para meter roupa de reserva na bagagem de cabine (malditas máquinas, objectivas e flashes), como ainda por cima somos alvos preferenciais para escrutínio policial e alfandegário.
Daí, recentemente resolvi criar uma lista com alguns pontos que podem evitar muitas chatices. É um work in progress, desgraçadamente construído à custa de infortúnios pessoais e alheios, mas se isto puder “salvar” a vida a alguém, tanto melhor. Imprima, complete e ponha em prática.

1. Identifique sempre todas as peças de bagagem: uma bagagem não identificada é uma bagagem suspeita… e há histórias de bagagens que não partiram por causa disto. Faça-o num suporte que não descole e inclua um número de telemóvel.
2. Faça o check-in o mais cedo possível: desta forma escapa mais facilmente a problemas de overbooking e não corre riscos associados a despachar bagagem fora de formato em cima da hora (algumas mochilas, p.ex.).
3. Se lhe for possível, faça o check-in directamente para o destino final: se perder ligações por culpa da companhia, será colocado no próximo avião.
4. No check-in confirme os códigos do aeroporto de destino e de trânsito na etiqueta de bagagem antes que estas comecem a rolar tapete fora.
5. Tenha atenção onde é colado o talão com o número da bagagem (em caso de extravio, ele será essencial para fazer uma reclamação), e não se desfaça dos talões dos cartões de embarque.
6. Se leva muito equipamento fotográfico, preencha uma declaração de exportação temporária: no regresso evita problemas com a alfândega.
7. Tire partido da bagagem de cabine autorizada, do tamanho de um pequeno trolley, e preencha-a com mudas de roupa e artigos que são essenciais (lentes de contacto, medicamentos, etc.).
8. Se a sua bagagem não chegar ao destino, não saia do aeroporto sem abrir um processo de reclamação – só com o respectivo número poderá fazer o seguimento.
9. Aprenda a viajar com menos coisas. Eventualmente, nem precisará de bagagem de porão.
10. Se perder a bagagem, evite perder a calma. O cérebro, os olhos e o coração (e a máquina fotográfica) viajam sempre consigo. E afinal foi para ver sítios como o da imagem abaixo que decidiu viajar…

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3 Respostas to “Air bag”

  1. Antonio Gomes Says:

    Como te compreendo António.

    Abraço.

  2. Rui Cardoso Says:

    A minha humilde contribuição (já que estou sem grande vontade de trabalhar):
    … Colocar um papel dentro da mala com os dados de contacto para o caso de a etiqueta exterior se perder;
    … Evitar malas pretas, ou das cores mais comuns… Seja criativo e não se esqueça que o amarelo e o rosa chock são excelentes cores para malas… Se já for tarde, use uma fita ou um autocolante visivel e que não descole para marcar a sua mala (ajuda-o a localizar a mala no tapete e ajuda as outras pessoas a perceber que aquela não é a mala delas);
    … Não colocar equipamento electronico ou comida dentro da mala, com as medidas de segurança actuais malas com estes items estas são as primeiras candidatas a passar por um segundo raio x ou até a serem revistadas manualmente (não espere que o pessoal da segurança se preocupe com o facto de não ter mala à chegada);
    … Verifique sempre os limites de peso de bagagem das companhias aereas (bagagem de mão incluída), e lembre-se de que a balança do aeroporto pesa sempre 2 ou 3 kg mais do que as nossas balanças de casa…
    … Prefira sempre programas de voo com o menor numero de ligações possivel e recorrendo ao menor numero de companhias (o ideal é fazer todos os voos na mesma companhia ou em companhias que façam parte do mesmo grupo);
    … Evite fazer ligações com menos de 2 horas entre voos… Hoje em dia é uma aventura fazer ligações de 30 minutos, mas apesar da rapidez e animação as nossas malas raramente são mais rapidas do que nós;
    … Use malas normais em tamanho e formato… A bagagem fora de formato tem tendencia a cair dos tapetes, as alças das mochilas encravam as passadeiras rolantes, etc…
    … Relaxe… Apesar de tudo, e independentemente dos motivos, viajar é das melhores coisas que podemos fazer na vida…

  3. António Sá Says:

    Obrigado, Rui, pelas tuas dicas… eu bem sei das tuas aventuras no reino dos aeroportos! Quem quiser engrossar a lista de conselhos é sempre bem-vindo.

    António

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